Sobre o excesso de fotos (um texto sem imagens)

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Hoje tenho apenas 2 fotos de quando era bebê.

Uma foto preto e branco carcomida de mofo e outra que minha tia achou no meio de uns documentos velhos e digitalizou. Se somar tudo o que tenho de fotografias, minha vida é um grande buraco negro de 1981 até meados de 2000, não mais que 30 fotos. Em compensação, uma de minhas viagens rendeu cerca de 800 fotos só com o celular e mais umas 400 com a máquina digital.

1200 fotos em 25 dias.
48 fotos por dia.
2 fotos por hora.

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Clique aqui: como um gesto mudou nossa visão da informação

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Para chegar até este texto você precisou dele. Foi pensando nele que usei um título chamativo, uma imagem de destaque, sentenças curtas. Se você gostar do que lê irá usá-lo para replicar este texto adiante, se não, irá precisar dele para fechar a aba do navegador. Estou falando do gesto que move a internet de um lugar para outro, que populariza notícias, vende coisas, faz prosperar ou falir empresas, impulsionando sites, organizações e governos, o gesto que determina o que vemos e o que não vemos on line. Estou falando do clique.

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Hannibal Lecter e Carl G. Jung saem para jantar

 

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O Silêncio dos Inocentes é um filme sobre um serial killer, uma investigadora insegura, um assassino canibal brilhante (e não por acaso psiquiatra) e uma vitima em vias de virar matéria-prima para uma roupa. Quem o assiste pela primeira vez fixa a atenção no suspense sempre crescendo e na magnética figura de Anthony Hopkins em seu papel mais famoso. A maioria das pessoas não percebe que O Silêncio dos Inocentes é basicamente um grande filme sobre a psique humana, talvez o maior de todos os filmes já feitos sobre o assunto. Um filme sobre a busca pelo nosso Eu verdadeiro e de como as relações entre masculino e feminino pontuam nossas vidas.
Um filme sobre quem desejamos ser, seja se tornar uma boa detetive, vestir uma pele feminina ou abraçar o canibalismo.

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Kafka e a percepção da inteligência

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“Conhecimento não ocupa espaço”, foi o que ouvi a vida inteira.
Aprendi que deveria ler, buscar coisas novas e mostrar cada vez mais prolixo e orgulhoso diante de quem não possuía a mesma cultura que a minha. Acumulei assim uma soberba natural de me considerar inteligente. O bicho do vício intelectual te morde de jeito, nasce o prazer de ter lido este ou aquele autor, de saber essa ou aquela obra de cor, o tesão de poder fazer parte de um clube fechado de pessoas “inteligentes”, uma masturbando o ego da outra numa suruba infinita.

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